A Grécia Antiga: as Cidades-Estado e a Democracia

Resumo de Estudo · História · 7.º Ano

A Grécia Antiga: as Cidades-Estado e a Democracia

Há cerca de 2500 anos, numa península montanhosa do Mediterrâneo Oriental, os Gregos criaram algo que nunca tinha existido: um sistema em que os cidadãos participavam diretamente no governo da sua cidade. A democracia nasceu em Atenas, e o mundo nunca mais foi o mesmo.

1 A Grécia e as cidades-estado

A Grécia localiza-se no Mediterrâneo Oriental, na Península Balcânica. Cerca de 80% do território são montanhas, o solo é pouco fértil e o litoral é bastante recortado. Este conjunto de características geográficas teve consequências importantes: dificultou a agricultura, incentivou o comércio e a pesca e, acima de tudo, favoreceu o isolamento das populações, contribuindo para o aparecimento das cidades-estado a partir do século VIII a.C.

Conceito

Cidade-estado (pólis): território independente grego com leis, governo e defesa próprias, que procurava garantir a autossuficiência da sua população. As principais foram Atenas e Esparta.

Cada pólis tinha o seu espaço organizado em duas zonas distintas. A Acrópole era a parte mais alta da cidade, fortificada, onde se encontravam os templos e os edifícios defensivos. A Ágora era a praça pública na parte baixa, onde se concentravam o comércio, a política e a vida cultural. Apesar de politicamente separadas, as cidades-estado partilhavam a mesma língua, religião, cultura e costumes.

A partir de meados do século VIII a.C., os Gregos começaram a expandir-se pelo Mediterrâneo e pelo Mar Negro, fundando colónias. Esta expansão foi motivada pelo aumento da população, pela pobreza dos solos, pelas rivalidades internas e pela procura de novas áreas de comércio.

2 Atenas no século V a.C.: prosperidade económica

No século V a.C., Atenas tornou-se a cidade-estado mais importante da Grécia. A sua prosperidade assentava em vários fatores: solos que permitiam cultivar cereais, vinha e oliveira; a proximidade do porto do Pireu, que tornava Atenas um centro de intensa atividade comercial; e uma poderosa frota naval que ligava a cidade ao Mediterrâneo e ao Mar Negro.

O comércio tornou-se a principal atividade económica dos atenienses. Atenas importava cereais, metais e escravos, e exportava vinho, azeite, armas e vasos cerâmicos. Nas trocas comerciais usava-se moeda de prata, o dracma. Por isso, diz-se que Atenas tinha uma economia comercial e monetária.

Entre 490 e 479 a.C., os Persas invadiram a Grécia. Para os enfrentar, várias cidades-estado uniram-se na Liga de Delos, liderada por Atenas, cuja prosperidade económica e poderosa frota naval foram decisivas para a vitória grega. Depois da vitória, Atenas impôs o seu domínio político, económico e cultural sobre o mundo helénico.

3 A democracia ateniense

No século V a.C., Atenas adotou um sistema de governo sem precedentes na história: a democracia. A palavra vem do grego e significa “poder do povo”. Neste sistema, as decisões eram tomadas diretamente pelos cidadãos, independentemente da sua riqueza, podendo estes votar e ocupar cargos políticos. Era uma democracia direta, bem diferente da democracia representativa que conhecemos hoje.

Conceito

Democracia: regime político em que o poder pertence ao povo. Em Atenas, os cidadãos participavam diretamente no governo da cidade, votando e ocupando cargos políticos.

Este sistema resultou de um processo gradual. Em 508 a.C., Clístenes iniciou reformas que garantiam maior igualdade de direitos entre os cidadãos. Mais tarde, Péricles levou a democracia ao seu apogeu, criando uma remuneração para os cidadãos mais pobres, permitindo-lhes participar na vida política sem perderem o seu sustento.

A democracia ateniense funcionava através de várias instituições com funções distintas:

Instituição Função
Eclésia (Assembleia do Povo) Os cidadãos aprovavam as leis e decidiam sobre impostos, guerra, paz e obras públicas
Bulé (Conselho dos 500) 500 cidadãos sorteados preparavam as leis para serem votadas na Eclésia
Helieia Tribunal que aplicava a justiça
Magistrados Arcontes (funções judiciais e religiosas) e estrategos (assuntos militares e política externa)

4 As limitações da democracia ateniense

A democracia ateniense foi um marco histórico, mas tinha limites profundos que, à luz dos valores atuais, são inaceitáveis. Os direitos políticos estavam reservados exclusivamente aos cidadãos, ou seja, homens livres de origem ateniense. A grande maioria da população estava completamente excluída.

Conceito

Cidadão: homem livre de origem ateniense, com direito a participar na vida política de Atenas.

Meteco: estrangeiro residente em Atenas, livre mas sem direitos políticos. Podia trabalhar e comerciar, mas não podia votar nem ocupar cargos.

Escravo: pessoa privada da liberdade, considerada propriedade do seu senhor. Os escravos realizavam os trabalhos mais duros e não tinham qualquer direito.

Grupo Direitos políticos
Cidadãos (homens livres de origem ateniense) Plenos direitos políticos: votavam e podiam ocupar cargos
Mulheres Sem qualquer direito político; excluídas da vida pública
Metecos (estrangeiros) Sem direitos políticos, apesar de serem livres
Escravos Sem qualquer direito; considerados propriedade

Para além destas exclusões, a democracia ateniense permitia o ostracismo (exílio forçado de dez anos para quem fosse considerado perigoso para a cidade), praticava a escravatura e exercia o seu imperialismo sobre outras cidades-estado da Liga de Delos. São limitações que os historiadores identificam através do método comparativo, comparando a democracia ateniense com os valores democráticos atuais.

Conceito

Método comparativo: método histórico que consiste em comparar sociedades, épocas ou factos diferentes para identificar semelhanças e diferenças e melhor compreender cada um deles.

Linha do Tempo

Séc. VIII a.C. Formação das cidades-estado gregas e início da expansão colonial
508 a.C. Reformas de Clístenes: bases da democracia ateniense
490-479 a.C. Guerras Greco-Persas; Liga de Delos liderada por Atenas
Séc. V a.C. Apogeu de Atenas: democracia plena com Péricles; “século de ouro” da arte grega

Quiz de revisão

Testa os teus conhecimentos

Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. O que era uma pólis na Grécia Antiga?

A. Uma colónia grega fundada no Mediterrâneo

B. Uma cidade-estado independente com leis, governo e defesa próprias

C. O mercado público onde se realizavam as trocas comerciais

2. O que distinguia a democracia ateniense da democracia que conhecemos hoje?

A. Em Atenas, os cidadãos elegiam representantes para governar em seu nome

B. Em Atenas, os cidadãos participavam diretamente nas decisões, votando e ocupando cargos sem intermediários

C. Em Atenas, o rei tinha o poder supremo e consultava os cidadãos apenas nas guerras

3. Qual era a função da Eclésia?

A. Preparar as leis para serem votadas pelos cidadãos

B. Aprovar as leis e tomar decisões sobre impostos, guerra e obras públicas

C. Aplicar a justiça e julgar os cidadãos acusados de crimes

4. Quem era um meteco na sociedade ateniense?

A. Um escravo libertado que podia votar nas assembleias

B. Um estrangeiro residente em Atenas, livre mas sem direitos políticos

C. Um cidadão ateniense condenado ao exílio por ostracismo

5. Qual foi a principal limitação da democracia ateniense?

A. Não havia instituições políticas organizadas para gerir a cidade

B. Os direitos políticos estavam reservados apenas aos cidadãos, excluindo mulheres, metecos e escravos

C. Os cidadãos mais pobres não podiam votar por falta de meios financeiros

Ver soluções

1 → B    2 → B    3 → B    4 → B    5 → B

Descarregar

Resumo completo em PDF para estudares sem internet

Descarregar PDF

Deixe um comentário