Resumo de Estudo · História · 7.º Ano
O Fim do Império Romano e o Início da Idade Média
Em 476, o último imperador romano do Ocidente foi deposto por um chefe bárbaro. Com ele caiu não apenas um homem, mas toda uma forma de organizar o mundo: as cidades, o comércio, as leis e a segurança que Roma garantia. O que veio a seguir foi muito diferente, e muito mais incerto.
1 A crise do Império Romano do Ocidente
A partir do século III, o Império Romano do Ocidente começou a revelar sinais crescentes de fragilidade. Os problemas acumularam-se ao longo de décadas, sem que nenhum imperador conseguisse travá-los.
Causas da crise do Império Romano do Ocidente
Em 395, o imperador Teodósio dividiu o Império em duas partes para facilitar a sua administração: o Império Romano do Ocidente (capital em Roma) e o Império Romano do Oriente (capital em Constantinopla). Mas esta divisão não resolveu a instabilidade. A ameaça que viria a ser decisiva vinha de fora das fronteiras: os povos chamados “bárbaros”.
Conceito
Bárbaros: nome dado pelos Romanos aos povos guerreiros que habitavam fora das fronteiras do Império, como os Visigodos, os Francos, os Suevos e os Vândalos.
Idade Média: período histórico que se convencionou situar entre 476 (queda do Império Romano do Ocidente) e 1453 (queda de Constantinopla).
Rutura: quebra ou interrupção brusca de uma situação; mudança profunda que rompe com o que existia antes.
2 As invasões bárbaras e a queda do Império
Os “bárbaros” eram povos germânicos, alguns seminómadas, dedicados à agricultura e à pastorícia, sem grande organização política. Desde o século III que se iam fixando junto às fronteiras do Império, atraídos pelas riquezas das cidades romanas. Os Romanos foram tolerando estas migrações e até integraram alguns destes povos no exército.
Tudo mudou no final do século IV: os Hunos, um povo vindo do Oriente, empurraram os povos germânicos para dentro do Império. Em 410, Roma foi saqueada pelos Visigodos. Em 476, o último imperador do Ocidente, Rómulo Augusto, foi deposto. Era o fim do Império Romano do Ocidente e, para os historiadores, o início de um novo período histórico: a Idade Média.
Após as invasões, os povos bárbaros organizaram-se em reinos. Os Suevos e os Visigodos fixaram-se na Península Ibérica, os Ostrogodos na Itália, os Anglo-saxões na Grã-Bretanha. Algumas destas monarquias deram origem a países europeus que ainda hoje existem.
Conceito
Reino: território governado por um rei, com poder soberano sobre os seus habitantes.
Monarquia: forma de governo em que o poder pertence a um rei, que o transmite habitualmente aos seus descendentes.
3 O papel da Igreja Católica nos reinos bárbaros
Num mundo fragmentado e inseguro, a Igreja Católica sobreviveu à queda do Império e manteve-se como uma instituição organizada, com prestígio e influência em toda a Europa. Gradualmente, muitos reis bárbaros converteram-se ao Catolicismo: Clóvis, rei dos Francos, e Recaredo, rei dos Visigodos, são dois exemplos. A conversão trazia-lhes o apoio do Papa e das populações conquistadas, tornando a Igreja uma aliada indispensável do poder político.
Conceito
Igreja Católica: instituição religiosa cristã que reconhece o Papa como chefe supremo e representante de Deus na Terra.
Ordem religiosa: comunidade de monges ou monjas que seguem um conjunto de regras estabelecidas pelo fundador da sua ordem e vivem em mosteiros.
A partir do século VI, desenvolveu-se o monaquismo: os monges organizaram-se em mosteiros, seguindo as regras das suas ordens. Os Beneditinos, fundados por S. Bento de Núrsia, foram os primeiros. O dia a dia nos mosteiros era estruturado entre a oração, os trabalhos agrícolas, a cópia de manuscritos, o ensino e a assistência aos mais necessitados. Os mosteiros tornaram-se centros religiosos, económicos e culturais, fundamentais para organizar os reinos bárbaros e fixar as populações que fugiam das invasões.
O Cristianismo acabou por garantir a unidade religiosa numa Europa politicamente fragmentada. Ao difundir valores comuns, a Igreja foi o único laço que unia os diferentes reinos e povos da Europa Ocidental.
4 As novas invasões e a economia de subsistência
Entre os séculos VIII e X, quando a Europa parecia entrar numa fase de maior estabilidade, chegaram novas vagas de invasões que voltaram a semear o terror.
| Povo invasor | Período | Origem |
|---|---|---|
| Muçulmanos | Século VIII | Norte de África |
| Viquingues | Séculos VIII-IX | Norte da Europa (Noruega, Dinamarca, Suécia) |
| Magiares | Séculos IX-X | Europa Oriental |
Os novos invasores saqueavam mosteiros, incendiavam aldeias e pilhavam cidades. O medo instalou-se: as populações abandonavam as cidades e refugiavam-se nos campos. O comércio diminuiu drasticamente, a moeda quase desapareceu e as trocas voltaram a ser feitas diretamente, produto por produto ou serviço por serviço.
A Europa atravessava uma rutura económica profunda. A economia urbana, comercial e monetária do Império Romano foi substituída por uma economia de subsistência: a agricultura tornou-se a principal e quase única fonte de sustento. As técnicas agrícolas eram rudimentares, os maus anos levavam à fome e as doenças aumentavam a mortalidade.
Conceito
Economia de subsistência: economia em que a produção visa apenas garantir o sustento básico das populações, sem excedentes para o comércio. Caracterizou a Europa medieval após a queda do Império Romano.
A instabilidade política também se agravou. Os reis, incapazes de defender sozinhos os seus territórios, passaram a conceder terras e privilégios a poderosos senhores do clero e da nobreza em troca de apoio militar. Os camponeses, por sua vez, ficavam dependentes destes senhores, que lhes ofereciam proteção. Nascia assim uma nova forma de organizar a sociedade, que estudarás com mais detalhe: o feudalismo.
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Quiz de revisão
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Responde primeiro sem espreitar as soluções!
1. Quais foram as principais causas da queda do Império Romano do Ocidente?
A. A expansão do Cristianismo e a recusa dos cidadãos em pagar impostos
B. A perda de autoridade dos imperadores, a fraqueza do exército, a corrupção e a crise agrícola, agravadas pelas invasões bárbaras
C. A divisão do Império em 395 e a transferência da capital para Constantinopla
2. Por que razão os reis bárbaros se converteram ao Catolicismo?
A. Porque foram obrigados pelo Papa sob ameaça de excomunhão
B. Porque a conversão garantia o apoio do Papa e das populações conquistadas, legitimando o seu poder
C. Porque os monges nos mosteiros lhes ensinavam a ler e a escrever em troca da conversão
3. Qual foi o papel dos mosteiros na Europa medieval?
A. Foram apenas centros de oração, sem qualquer função económica ou cultural
B. Foram simultaneamente centros religiosos, económicos e culturais, fundamentais para organizar os reinos e fixar as populações
C. Foram fortalezas militares usadas para defender os reinos bárbaros das invasões
4. O que se entende por economia de subsistência?
A. Uma economia baseada no comércio marítimo e na exportação de produtos agrícolas
B. Uma economia em que a produção visa apenas garantir o sustento básico, sem excedentes para o comércio
C. Uma economia em que a moeda substituiu completamente as trocas diretas de produtos
5. Como contribuiu a Igreja Católica para a unidade da Europa medieval?
A. Unificou politicamente os reinos bárbaros sob a autoridade do Papa
B. Garantiu a unidade religiosa numa Europa fragmentada, difundindo valores comuns que todos os povos partilhavam
C. Criou um exército papal que defendia os reinos bárbaros das invasões dos Viquingues e dos Magiares
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