Resumo de Estudo · História · 8.º Ano
A Crise do Império, a União Ibérica e a Restauração
A partir de meados do século XVI, o império português começou a dar sinais de fragilidade. Novos rivais surgiram nos mares, um rei sem herdeiros abriu caminho à União Ibérica, e sessenta anos de domínio espanhol terminaram com uma conspiração que mudou a história de Portugal.
1 A crise do império português
Durante o reinado de D. João III (1521-1557), o império português começou a mostrar os primeiros sinais sérios de desgaste. Manter territórios espalhados por três continentes exigia um esforço financeiro enorme, e a Coroa não conseguia suportá-lo sem recorrer a empréstimos estrangeiros. A esta dificuldade juntavam-se outros problemas que se foram acumulando.
Causas da crise do império
Em 1578, D. Sebastião tentou inverter a situação com uma expedição militar ao Norte de África. A Batalha de Alcácer Quibir foi um desastre: o rei morreu sem deixar descendentes e muitos dos seus soldados foram mortos ou feitos prisioneiros. À crise económica juntou-se agora uma crise política. Sucedeu-lhe o cardeal D. Henrique, já muito idoso e também sem herdeiros. O vazio de poder tornava-se inevitável.
2 A União Ibérica (1581-1640)
Com a morte do cardeal D. Henrique em 1580, disputavam o trono três candidatos, todos netos de D. Manuel I: D. Catarina de Bragança, Filipe II de Espanha e D. António, prior do Crato. Filipe II soube jogar as suas cartas: prometeu à nobreza e à burguesia portuguesas acesso a novas terras, cargos, e ao ouro e prata da América espanhola. Com estes apoios, foi aclamado rei nas Cortes de Tomar de 1581.
Filipe II fez promessas concretas: Portugal manteria a sua língua, as suas leis, a sua moeda e os seus costumes; o império seria administrado apenas por portugueses; os dois países seriam estados independentes unidos sob a mesma coroa. Estas garantias convenceram grande parte dos portugueses a aceitar a União Ibérica, que duraria sessenta anos.
3 A ascensão de novos impérios coloniais
Enquanto Portugal entrava em crise, outros países aproveitavam para construir os seus próprios impérios. A Holanda, a Inglaterra e a França recusavam aceitar o monopólio ibérico dos mares e avançaram para a conquista de territórios e rotas comerciais.
| País | Como se expandiu |
|---|---|
| Holanda | Criou companhias de comércio que conquistaram pontos estratégicos em África, na Índia e nas Américas; fundou o primeiro banco e a primeira bolsa de valores em Amesterdão |
| Inglaterra | Intensificou ataques de corsários; derrotou a Armada Invencível espanhola em 1588; aprovou o Ato de Navegação em 1651 para controlar o comércio |
| França | Explorou a América do Norte; criou companhias de comércio; atacou territórios ibéricos na América e em África |
O jurista holandês Hugo Grócio formalizou esta contestação com o princípio do mare liberum: os mares não podiam pertencer a nenhum país em particular e todos tinham o direito de navegar e comerciar livremente. Era o fim do mare clausum ibérico.
Conceito
Mare liberum: princípio defendido pelo jurista holandês Hugo Grócio segundo o qual todos os países têm direito à livre navegação e exploração dos mares, em oposição ao mare clausum ibérico.
Companhia de comércio: sociedade constituída por acionistas em que os lucros ou perdas eram proporcionais às ações de cada investidor; permitia financiar expedições comerciais de grande escala.
Bolsa de valores: mercado onde se compravam e vendiam ações de empresas e outros títulos financeiros.
Comércio triangular: comércio realizado no Atlântico entre a Europa, África e América: a Europa exportava produtos manufaturados para África, Africa fornecia escravos para a América, e a América enviava matérias-primas para a Europa.
Capitalismo comercial: sistema económico baseado na procura do lucro e no reinvestimento dos ganhos, que floresceu sobretudo na Holanda e na Inglaterra no século XVII.
4 A crise do domínio espanhol em Portugal
O que começou com promessas rapidamente se transformou em desapontamento. Os sucessores de Filipe II foram incumprindo as condições acordadas em Tomar, e a situação de Portugal foi-se deteriorando ao longo das primeiras décadas do século XVII.
Como Portugal estava unido à Espanha, os seus inimigos passaram a ser também inimigos de Portugal. A Holanda e a Inglaterra, em guerra com os espanhóis, atacaram territórios portugueses em África, no Oriente e no Brasil, prejudicando gravemente o comércio de açúcar, tabaco e escravos. A nobreza portuguesa foi sendo substituída por espanhóis nos cargos da administração. Os portugueses eram recrutados para combater nas guerras espanholas na Europa. E o povo via os seus impostos subir para pagar tudo isso.
Em 1637, a situação explodiu. Em Évora, o povo revoltou-se contra o aumento dos impostos na chamada Revolta do Manuelinho. Os motins alastrassem por todo o país, mas foram reprimidos pelas tropas espanholas. O descontentamento, porém, não desapareceu.
5 A Restauração da independência
No dia 1 de dezembro de 1640, um grupo de nobres, apoiados por populares, atacou o Paço Real em Lisboa e aclamou rei de Portugal D. João, duque de Bragança, com o título de D. João IV. Estava proclamada a Restauração da independência de Portugal, dando início à Dinastia de Bragança.
Conceito
Restauração: movimento que, a 1 de dezembro de 1640, pôs fim ao domínio espanhol em Portugal e restaurou a independência do reino, com a aclamação de D. João IV como rei.
A independência foi proclamada, mas não estava garantida. A Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha prolongou-se até 1668, ano em que a Espanha reconheceu finalmente a soberania portuguesa. Portugal tinha recuperado a sua independência depois de sessenta anos sob coroa espanhola.
Linha do Tempo
Quiz de revisão
Testa os teus conhecimentos
Responde primeiro sem espreitar as soluções!
1. Quais foram as principais causas da crise do império português a partir de meados do século XVI?
A. A falta de navios e a destruição dos portos portugueses pelos muçulmanos
B. A corrupção, os naufrágios, os ataques de corsários, a concorrência muçulmana e a contestação do mare clausum
C. A peste negra e as guerras internas que devastaram Portugal
2. Por que razão grande parte da nobreza e da burguesia portuguesas aceitou a União Ibérica em 1581?
A. Porque Filipe II ameaçou invadir Portugal se não fosse aceite como rei
B. Porque Filipe II prometeu respeitar a soberania portuguesa e abrir o acesso às riquezas do império espanhol
C. Porque D. António, prior do Crato, renunciou voluntariamente ao trono
3. O que defendia o princípio do mare liberum?
A. Que os mares pertenciam a Portugal e a Espanha, conforme o Tratado de Tordesilhas
B. Que todos os países tinham direito à livre navegação e exploração dos mares
C. Que a Holanda tinha o direito exclusivo de navegar no oceano Índico
4. Quais foram as principais consequências do domínio espanhol em Portugal que levaram à Restauração?
A. O aumento da produção agrícola e o enriquecimento do povo português
B. O incumprimento das promessas de Tomar, os ataques aos territórios portugueses, o aumento dos impostos e a substituição de nobres portugueses por espanhóis
C. A perda das rotas do Mediterrâneo para os muçulmanos
5. O que foi a Restauração e quando aconteceu?
A. A assinatura do Tratado de Windsor com a Inglaterra, em 1386
B. A proclamação da independência de Portugal a 1 de dezembro de 1640, com a aclamação de D. João IV
C. A vitória de Portugal na Guerra dos Trinta Anos, em 1648
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