Portugal no Século XVIII: Resumo Completo para o 6.º Ano

Monarquia absoluta: o poder do rei

Numa monarquia absoluta, todo o poder do reino está nas mãos de uma só pessoa: o rei. É ele que faz as leis, governa o país e decide os castigos para quem as desrespeita.

Naquela época acreditava-se que o poder do rei vinha diretamente de Deus. Por isso, ninguém podia contestar as suas decisões, nem os nobres nem o povo.

D. João V, rei entre 1707 e 1750, é o melhor exemplo deste poder absoluto em Portugal. Durante todo o seu reinado nunca reuniu as Cortes, a assembleia onde as três ordens sociais se juntavam para o rei pedir dinheiro ou opiniões. Não precisava disso: tinha ouro que chegasse vindo do Brasil.

O ouro do Brasil e a economia portuguesa

No final do século XVII foram descobertas ricas minas de ouro na região de Minas Gerais, no Brasil. A partir daí, o ouro e mais tarde os diamantes começaram a chegar a Lisboa em quantidades enormes.

Porque foram tantas pessoas para o Brasil

  • Portugueses que foram por vontade própria: milhares saíram do reino a caminho do Brasil, à procura de enriquecer depressa.
  • Africanos levados à força pela escravatura: para trabalhar nas minas e nas plantações de cana-de-açúcar, milhões de africanos foram capturados e obrigados a viajar para o Brasil, uma das maiores tragédias humanas da História. Isto fazia parte do chamado comércio triangular.

Há uma marca que ainda existe hoje: as tradições trazidas pelos africanos escravizados continuam vivas, tanto no Brasil como em Portugal.

A sociedade em três grupos

No século XVIII, todas as pessoas em Portugal pertenciam a um de três grupos sociais, chamados ordens.

Grupo socialPopulaçãoO que faziam
CleroCerca de 2%Rezar, tratar do culto religioso e do ensino
NobrezaCerca de 1%Cargos militares e governação
Terceiro EstadoCerca de 97%Agricultura, comércio, artesanato

Nota: as percentagens são aproximadas, segundo estimativas de historiadores.

D. João V: um rei rico e cheio de luxo

Para impressionar o povo e os outros reis da Europa, D. João V gastava fortunas em fausto, ou seja, mostrava riqueza e poder através de coisas grandiosas e luxuosas: roupas, festas, cerimónias e construções.

Os três maiores exemplos são o Palácio-Convento de Mafra, o Aqueduto das Águas Livres em Lisboa e a Biblioteca Joanina em Coimbra.

Palácio-Convento de Mafra, construído no reinado de D. João V

Novos alimentos mudam a vida das pessoas

O milho substituiu o trigo e o centeio em muitas regiões, dando colheitas muito maiores. A batata espalhou-se por ser fácil de cultivar e muito nutritiva.

Com mais comida disponível, houve menos fome, a população ficou mais saudável e cresceu.

O Marquês de Pombal e o terramoto de 1755

Em 1750, o rei D. José I escolheu Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, como principal ministro, cargo que ocupou até 1777.

No dia 1 de novembro de 1755, um terramoto violentíssimo destruiu grande parte de Lisboa. Pombal agiu depressa, com uma frase que ficou famosa: “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos.”

Na reconstrução da Baixa Pombalina foram aplicadas ideias muito modernas para a época:

  • Ruas largas e direitas
  • A “gaiola pombalina”, uma estrutura antissísmica
  • Prédios uniformes
  • Esgotos modernos

Quiz de revisão

  1. Porque é que D. João V nunca precisou de reunir as Cortes?
  2. O que era o comércio triangular?
  3. Qual das ordens sociais não pagava impostos?
  4. O que aconteceu a Lisboa a 1 de novembro de 1755?

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