Os Primeiros Povos na Península Ibérica

Resumo de Estudo · História e Geografia de Portugal · 5.º Ano

Os Primeiros Povos na Península Ibérica

Antes de existir Portugal, a Península Ibérica foi habitada por comunidades que viviam da caça e da recolha, até aprenderem a cultivar e a criar animais. Mais tarde, chegaram povos vindos de longe, atraídos pelas riquezas do território.

1 As comunidades recoletoras

Os primeiros grupos humanos a habitar a Península Ibérica viviam da recoleção: recolhiam do meio natural tudo o que precisavam para sobreviver. Caçavam animais, pescavam, apanhavam frutos, raízes, grãos e ovos. Quando os recursos de uma região se esgotavam, partiam para outro lugar. Por isso, eram nómadas: não tinham habitação fixa.

Conceito

Recoleção: modo de vida em que as comunidades humanas recolhem da Natureza o que precisam para sobreviver, sem produzir nem cultivar.

Nómada: pessoa ou comunidade que se desloca de lugar em lugar, sem residência fixa.

Utensílio: objeto fabricado pelo ser humano para realizar uma tarefa, como caçar, cortar ou raspar.

Para caçar e pescar usavam utensílios feitos de pedra lascada, osso e madeira: arpões, lanças e bifaces. Viviam em grutas ou em cabanas construídas com troncos, folhas e peles de animais, com as quais se vestiam também.

A descoberta do fogo foi uma das conquistas mais importantes destas comunidades. Produzido por faíscas da lascagem de certas rochas ou pela fricção de madeira, o fogo servia para aquecer, iluminar, cozinhar os alimentos e afastar animais selvagens. Tornava o grupo menos dependente das condições da Natureza.

A caça era perigosa, mas estimulava a cooperação e a comunicação dentro do grupo. As pinturas e gravuras nas rochas, a chamada arte rupestre, são uma das principais fontes históricas que nos permitem conhecer a vida destas comunidades.

2 As comunidades agropastoris

Junto a rios, lagos e ao mar, foram surgindo comunidades que descobriram a agricultura e a domesticação de animais. Em vez de apenas recolherem os alimentos da Natureza, passaram a produzi-los. Tornaram-se sedentárias: fixaram-se num lugar e construíram as primeiras aldeias, com pequenas casas circulares cobertas de colmo.

Conceito

Sedentário: pessoa ou comunidade que se fixa num determinado lugar, em oposição ao nómada.

A vida nas aldeias exigiu novas técnicas e uma maior cooperação entre as pessoas. Surgiram a cestaria e a cerâmica para armazenar alimentos, a moagem para transformar cereais em farinha e a tecelagem para fabricar tecidos. A divisão do trabalho foi crescendo: alguns tratavam dos campos, outros criavam gado, outros defendiam a aldeia. Nascia assim a vida em sociedade.

3 Iberos, Celtas e Celtiberos

Por volta de 3000 a.C., as comunidades da Península Ibérica descobriram a metalurgia: aprenderam a extrair e a fundir metais como o cobre, o ouro e a prata para fabricar armas, utensílios e joias. Esta descoberta transformou profundamente a vida destas sociedades.

Povo Origem Zona que habitavam
Iberos Originários da própria Península Nordeste, costa este, sul e sudeste
Celtas Norte e Centro da Europa Parte ocidental e centro da Península
Celtiberos Mistura de Celtas e Iberos Entre os rios Ebro e Guadiana

4 Os castros e as citânias

Os castros eram povoados construídos no cimo de montes e colinas, protegidos por muralhas e fossos para facilitar a defesa. Quando cresciam muito, com centenas ou milhares de habitantes, passavam a chamar-se citânias. As citânias de Sanfins e de Briteiros são exemplos conhecidos em Portugal.

Estes povoados podiam ter ruas, casas redondas com lareira, cisternas para guardar água e santuários para o culto religioso. Os habitantes alimentavam-se de carne, queijo, pão e frutos, e bebiam hidromel e cerveja de trigo com mel. O vinho não era produzido, mas importado em troca de sal, peles e escravos.

5 Os povos do Mediterrâneo

Entre 750 a.C. e 250 a.C., vários povos chegaram à Península Ibérica pelo mar Mediterrâneo, atraídos pela abundância de metais. Fundaram feitorias e colónias no litoral sul e sudeste para fazer comércio com os povos locais.

Povo Origem Principal contributo
Fenícios Mediterrâneo Oriental Primeiro alfabeto com 22 consoantes
Gregos Grécia Introdução da moeda nas trocas comerciais
Cartagineses Cartago (atual Tunísia) Domínio das minas e do comércio no Mediterrâneo Ocidental

Estes contactos trouxeram mudanças aos povos da Península Ibérica: novas técnicas, novos produtos e novos hábitos. O comércio era feito sobretudo por troca direta de produtos, mas com os Gregos começou a surgir o uso da moeda.

Linha do Tempo

3000 a.C. Descoberta da metalurgia na Península Ibérica
750 a.C. Chegada dos Fenícios à Península Ibérica
400 a.C. Presença dos Celtas na Península Ibérica
250 a.C. Domínio cartaginês no Mediterrâneo Ocidental

Quiz de revisão

Testa os teus conhecimentos

Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. Por que razão as comunidades recoletoras eram nómadas?

A. Porque gostavam de conhecer novos lugares

B. Porque dependiam dos recursos naturais e deslocavam-se quando esses escasseavam

C. Porque fugiam dos povos invasores

2. O que mudou com a passagem para as comunidades agropastoris?

A. As pessoas deixaram de comer carne e peixe

B. As comunidades tornaram-se sedentárias, passando a produzir os seus próprios alimentos

C. As pessoas passaram a viver isoladas, sem contacto umas com as outras

3. O que eram os castros?

A. Barcos usados pelos Fenícios para chegar à Península Ibérica

B. Povoados construídos no cimo de montes e protegidos por muralhas

C. Instrumentos de pedra usados na agricultura

4. Qual o principal contributo dos Fenícios para a história?

A. A introdução da moeda nas trocas comerciais

B. A criação do primeiro alfabeto, com 22 consoantes

C. O domínio das minas de prata na Península Ibérica

5. O que atraiu os povos do Mediterrâneo à Península Ibérica?

A. O clima ameno e os solos férteis

B. A abundância de metais como o cobre, a prata e o estanho

C. A existência de grandes cidades e mercados organizados

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