A Civilização Egípcia

Resumo de Estudo · História · 7.º Ano

A Civilização Egípcia

Por volta de 3100 a.C., ao longo das margens de um rio extraordinário, nasceu uma das civilizações mais duradouras da história. Durante mais de três milénios, o Egito deixou um legado que ainda hoje reconhecemos no nosso calendário, na nossa escrita e na nossa forma de pensar o tempo e a morte.

1 O Nilo: a razão de ser do Egito

O Egito é, como dizia o historiador grego Heródoto, “um dom do Nilo”. Sem o rio, não haveria civilização. O território egípcio era dominado por dois desertos, o da Líbia a oeste e o da Arábia a leste. Entre eles, o Nilo corria de sul para norte, e era nas suas margens que a vida era possível.

Todos os anos, entre julho e outubro, o Nilo transbordava. As cheias inundavam as margens e depositavam uma camada de limo negro, uma lama rica em sais minerais que tornava os solos extraordinariamente férteis. Os Egípcios aprenderam a tirar partido deste ritmo natural: construíram canais, diques e barragens para controlar a água e irrigar os campos nos meses mais secos.

2 As atividades económicas

A agricultura era a base da economia egípcia. Cultivavam cereais como o trigo e a cevada, legumes e árvores de fruto. Nas margens do Nilo cresciam também o linho, utilizado no fabrico de vestuário, e o papiro, que seria o principal suporte da escrita egípcia.

Os Egípcios praticavam ainda a pecuária, a pesca e desenvolveram um artesanato diversificado: metalurgia, ourivesaria, cerâmica, tecelagem e construção naval. A navegabilidade do Nilo facilitava tanto o comércio interno como as trocas com povos vizinhos. Exportavam sobretudo produtos agrícolas e artesanais; importavam matérias-primas como metais, madeira, resina e especiarias.

3 O faraó e a organização social

O poder político no Egito não tinha paralelo noutras civilizações. O faraó era considerado um deus vivo, descendente dos deuses, e o seu poder era absoluto. Governava, administrava, liderava o exército e presidia aos rituais religiosos. Era, ao mesmo tempo, rei, sacerdote e juiz supremo.

Conceito

Poder sacralizado: forma de organização do poder político em que o governante é considerado um deus vivo ou representante dos deuses, o que confere ao seu poder uma dimensão religiosa e inquestionável.

Sociedade estratificada: sociedade organizada em grupos com funções, direitos e poderes distintos, em que uns são considerados mais importantes do que outros.

A sociedade egípcia era estratificada. No topo, o faraó e a família real. Logo abaixo, os altos funcionários e os sacerdotes, que administravam os templos. Os escribas dominavam a escrita e registavam leis e impostos. Os soldados defendiam o território. Na base estavam os artesãos, os comerciantes e os camponeses, que constituíam o grupo mais numeroso e pagavam impostos ao faraó.

Estrato social Função
Faraó e família real Governar, liderar o exército, presidir aos rituais
Altos funcionários e sacerdotes Administrar o território e os templos
Escribas Registar leis, impostos e documentos
Soldados Defender o território
Artesãos, comerciantes e camponeses Base da economia; pagavam impostos ao faraó

4 A religião e a mumificação

Os Egípcios praticavam o politeísmo, adorando múltiplos deuses ligados às forças da Natureza ou a funções específicas. Os principais eram Amon-Rá (deus-Sol), Osíris (deus dos mortos), Hórus (deus do céu), Maat (deusa da justiça) e Thot (deus da sabedoria). Os deuses podiam ser representados com forma humana, com cabeça de animal e corpo humano (forma híbrida) ou apenas sob forma animal.

Uma das crenças centrais da religião egípcia era a vida para além da morte. Os Egípcios acreditavam que a alma necessitava do corpo para o habitar após a morte, o que os levou a desenvolver técnicas sofisticadas de preservação dos corpos: a mumificação. O processo consistia em retirar os órgãos internos, desidratar o corpo com natrão e envolvê-lo em faixas de linho. A múmia era depois colocada num sarcófago e depositada num túmulo.

Conceito

Escravatura: prática em que um ser humano é privado da sua liberdade e está sujeito à vontade de outrem, que o considera sua propriedade.

5 A arte egípcia

A arte egípcia caracteriza-se pela monumentalidade e pelo seu vínculo estreito com a religião, em particular com o culto dos mortos. Na arquitetura funerária destacam-se três tipos de monumentos.

Monumento Descrição
Mastaba Túmulo retangular, os mais antigos
Pirâmide Túmulo dos faraós; símbolo máximo da civilização egípcia
Hipogeu Câmara funerária escavada na rocha, com acesso oculto para evitar saques

Na pintura, os artistas seguiam a lei da frontalidade: a cabeça e os membros eram representados de perfil, mas os olhos e o tronco surgiam de frente. O tamanho das figuras dependia da importância social de cada personagem. A escultura era imponente e rígida nas estátuas de faraós e deuses, mas mais expressiva nas estatuetas que representavam sacerdotes ou escribas.

6 Os legados da Civilização Egípcia

Principais legados

Escrita Hieróglifos, depois simplificados na escrita hierática e demótica
Calendário 365 dias, 24 horas por dia e 60 minutos por hora
Matemática Cálculo de áreas e geometria aplicada à construção
Medicina Conhecimento do corpo humano através da prática da mumificação

Quiz de revisão

Testa os teus conhecimentos

Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. Qual a importância das cheias anuais do Nilo?

A. Permitiam a navegação entre o Egito e a Mesopotâmia

B. Depositavam limo negro nas margens, tornando os solos muito férteis

C. Forneciam peixe em abundância para a população

2. Que poderes tinha o faraó?

A. Apenas poderes religiosos, partilhando o poder político com os sacerdotes

B. Poderes absolutos: governava, liderava o exército, presidia aos rituais e era juiz supremo

C. Apenas poderes militares

3. Por que razão os Egípcios mumificavam os seus mortos?

A. Por questões de higiene, para evitar doenças

B. Porque acreditavam que a alma precisava do corpo para o habitar após a morte

C. Era uma prática exclusiva dos faraós, sem significado religioso

4. O que é a lei da frontalidade na pintura egípcia?

A. A regra de pintar sempre as figuras a tamanho natural

B. A convenção de representar a cabeça e os membros de perfil, mas os olhos e o tronco de frente

C. A obrigação de retratar sempre o faraó no centro das pinturas

5. Qual o principal legado científico dos Egípcios que ainda hoje usamos?

A. O alfabeto fonético com 22 sinais

B. O calendário de 365 dias, dividido em 24 horas e 60 minutos

C. O sistema de irrigação com canais e diques

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