Resumo de Estudo · História e Geografia de Portugal · 6.º Ano
A Implantação da República e a 1.ª República
No final do século XIX, Portugal vivia uma grave crise económica e política. O descontentamento popular foi crescendo até que, no dia 5 de outubro de 1910, a monarquia foi derrubada e proclamada a República. Os novos governos aprovaram uma Constituição inovadora e várias reformas sociais, laborais e educativas que mudaram profundamente o país.
1 Da crise da Monarquia à Revolução Republicana
Nos últimos anos do século XIX, Portugal atravessava uma grave crise económica. Apesar dos investimentos feitos durante o Fontismo, o país continuava a importar muito e a pedir empréstimos ao estrangeiro. A este problema juntavam-se os gastos excessivos da família real, que obrigavam a aumentar os impostos e agravavam as condições de vida da população.
Ao mesmo tempo, países como a Inglaterra e Portugal procuravam ocupar territórios em África, ricos em matérias-primas, para continuarem a sua industrialização. Em 1884-1885, reuniram-se na Conferência de Berlim para partilharem entre si as colónias africanas.
Conceito
Revolução: mudança profunda e, geralmente, rápida na forma de organização política, social ou económica de um país.
O rei D. Carlos acabou por ceder às exigências da Inglaterra, o que provocou grande descontentamento popular e fez crescer o número de pessoas a defender a mudança do regime para uma república. Depois disso, o rei nomeou João Franco para chefe do Governo, que dissolveu o Parlamento, restringiu a liberdade de imprensa e perseguiu os republicanos, o que fez o Partido Republicano intensificar a oposição ao regime.
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 1886 | Portugal apresenta o Mapa Cor-de-Rosa, pedindo o reconhecimento internacional dos territórios entre Angola e Moçambique |
| 1890 | A Inglaterra envia o Ultimato Inglês, ameaçando Portugal militarmente |
| 31 jan. 1891 | Primeira revolta republicana, organizada no Porto, sem sucesso |
| 1908 | Regicídio: morrem D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe. D. Manuel II sobe ao trono |
| 5 out. 1910 | É proclamada a implantação da República |
O Governo Provisório preparou as primeiras eleições e aprovou novos símbolos nacionais, para marcar a diferença entre a monarquia e o novo regime.
Os novos símbolos nacionais
2 A Constituição de 1911
O Governo Provisório manteve-se em funções até se realizarem eleições para a Assembleia Constituinte, que teve como missão elaborar uma nova Constituição, aprovada em 1911. No mesmo ano, foi eleito o primeiro Presidente da República: Manuel de Arriaga.
Este documento manteve a separação de poderes políticos e a igualdade social, e estabeleceu princípios considerados inovadores para a época: o direito à liberdade de imprensa, a liberdade de culto religioso e a instituição da escolaridade obrigatória e gratuita.
Conceito
Rutura: interrupção brusca da continuidade de uma situação; quebra com o que existia antes.
A Constituição de 1911 determinava que o Congresso (Parlamento) era o órgão político mais importante, porque, além do poder legislativo, tinha também o direito de eleger e de destituir o Presidente da República. Estabelecia ainda o sufrágio universal, mas com restrições: só podiam votar os homens, maiores de 21 anos, chefes de família e que soubessem ler e escrever.
Podemos concluir que a proclamação da República representou uma rutura, sobretudo no regime político que até então vigorava em Portugal. Atualmente, o direito de voto é de todos os cidadãos maiores de 18 anos, homens e mulheres.
Sabias que?
Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar nas eleições de 1911 para a Assembleia Nacional Constituinte, mas só conseguiu exercer esse direito depois de recorrer ao tribunal.
3 As medidas governativas da 1.ª República
Os Governos republicanos fizeram importantes reformas no país, em três grandes áreas: social, laboral e educativa.
As reformas da 1.ª República
Conceito
Alfabetização: processo de ensinar a ler e a escrever a uma população. Greve: interrupção coletiva e voluntária do trabalho, organizada pelos trabalhadores para reivindicar direitos.
4 O fim da 1.ª República
A 1.ª República terminou por vários motivos: a instabilidade política, que impedia a aprovação de leis; e a crise económica e social, agravada pela participação de Portugal na 1.ª Guerra Mundial (1914-1918), que trouxe elevadas despesas militares, falta de alimentos e aumento dos preços e do desemprego. Este descontentamento gerou manifestações e greves.
No dia 28 de maio de 1926, um golpe militar, dirigido pelo general Gomes da Costa, dissolveu o Parlamento e instaurou uma ditadura militar, pondo fim à 1.ª República.
Quiz de revisão
Testa os teus conhecimentos
Responde primeiro sem espreitar as soluções!
1. O que levou o rei D. Carlos a ceder ao Ultimato Inglês, em 1890?
A. A pressão do Partido Republicano
B. A ameaça militar da Inglaterra, cujos interesses coloniais eram contrários aos de Portugal
C. Um pedido do Governo Provisório
2. Em que dia foi proclamada a implantação da República?
A. 31 de janeiro de 1891
B. 5 de outubro de 1910
C. 1 de fevereiro de 1908
3. Qual era o órgão político mais importante segundo a Constituição de 1911?
A. O Presidente da República
B. O Congresso (Parlamento), que podia eleger e destituir o Presidente
C. O Tribunal Supremo
4. Que medida educativa foi tomada pela 1.ª República?
A. Ensino primário obrigatório e gratuito, dos 7 aos 10 anos
B. Fim do ensino técnico
C. Ensino apenas para os filhos da burguesia
5. O que aconteceu a 28 de maio de 1926?
A. Foi eleito o primeiro Presidente da República
B. Um golpe militar pôs fim à 1.ª República e instaurou uma ditadura militar
C. Foi assinado o Ultimato Inglês
Ver soluções
1 → B 2 → B 3 → B 4 → A 5 → B
Descarregar
Resumo completo em PDF para estudares sem internet