A Sociedade Medieval e as Relações de Vassalidade

Resumo de Estudo · História · 7.º Ano

A Sociedade Medieval e as Relações de Vassalidade

Na Europa medieval, a sociedade organizava-se de forma rígida e hierarquizada: quem rezava, quem combatia e quem trabalhava. A maior parte das pessoas nascia num grupo social e morria no mesmo, sem hipótese de mudar. E, no meio de tudo, existia uma teia complexa de lealdades, obrigações e dependências que mantinha o sistema de pé.

1 Uma sociedade tripartida

As invasões dos séculos VIII e IX obrigaram os reis a distribuir terras, títulos e benefícios ao clero e à nobreza em troca de apoio militar. Esta realidade consolidou uma sociedade dividida em três grupos, a que chamamos sociedade tripartida. A divisão era considerada natural e estabelecida por Deus, com funções específicas para cada grupo.

Os três grupos da sociedade medieval

Clero Rezava para garantir proteção divina e espiritual a todos; grupo privilegiado
Nobreza Combatia e defendia o território; grupo privilegiado com terras e títulos
Povo Trabalhava para garantir o sustento de todos; grupo mais numeroso e sem privilégios

Conceito

Clero: grupo social constituído por todos os membros da Igreja Católica, desde o Papa até aos monges e padres.

Nobreza: grupo social privilegiado que se dedicava à guerra e à administração dos seus domínios.

Aristocracia: a camada mais poderosa e influente da nobreza, com grande poder militar, terras e prestígio.

Povo: o grupo mais numeroso da sociedade medieval, constituído por camponeses, artesãos e mercadores, sem privilégios.

2 O clero

O clero dividia-se em clero secular (bispos e párocos que dirigiam dioceses e igrejas, sem pertencer a nenhuma ordem religiosa) e clero regular (abades, monges e freiras que viviam em mosteiros segundo as regras da sua ordem). O clero era um grupo muito influente por várias razões: era praticamente o único que sabia ler e escrever, participava nos momentos mais importantes da vida das pessoas (nascimento, casamento, doença e morte) e funcionava como intermediário entre os fiéis e Deus.

Os seus privilégios eram consideráveis: alguns membros ocupavam cargos administrativos importantes, eram julgados em tribunais próprios, estavam isentos de impostos e cobravam a dízima ao povo (uma percentagem da produção agrícola). A partir do século X, a ostentação e a imoralidade de alguns membros do clero secular gerou uma crise moral, que levou à criação de novas ordens religiosas, como os Beneditinos de Cluny e de Cister, que pretendiam renovar a imagem da Igreja.

3 A nobreza e os senhorios

A nobreza, e em especial a aristocracia guerreira, afirmou o seu poder através das armas e dos exércitos próprios, num tempo em que os reis nem sempre conseguiam garantir a defesa dos seus territórios. Em troca do apoio militar prestado, recebiam terras e títulos, aumentando o seu poder e prestígio. Os seus privilégios incluíam cargos administrativos e militares, isenção de impostos e a possibilidade de aplicar a justiça e cobrar impostos às populações que viviam nos seus domínios.

A residência do senhor era frequentemente um castelo, situado em local estratégico e de difícil acesso, símbolo da sua autoridade. O conjunto das suas propriedades chamava-se senhorio ou domínio senhorial, dividido em duas partes:

Parte do senhorio O que era
Reserva Área explorada diretamente pelo senhor, onde ficava o castelo, os bosques, as terras de cultivo e os meios de produção (lagar, moinho, forno)
Mansos ou casais Parcelas de terra entregues aos camponeses, que as trabalhavam em troca do pagamento de impostos, rendas e trabalho gratuito na reserva (as corveias)

4 O povo: camponeses livres e servos

Entre os séculos IX e XII, o povo era constituído sobretudo por camponeses que viviam e trabalhavam nos senhorios. Havia dois tipos de camponeses: os colonos ou vilãos, que eram livres mas estavam sujeitos a pesadas obrigações, e os servos, que não eram livres e não podiam abandonar as terras do senhor sem a sua autorização.

Conceito

Servo: camponês não livre que trabalhava nos senhorios medievais e não podia abandonar as terras do senhor sem a sua autorização.

As obrigações dos camponeses eram pesadas: pagavam rendas e impostos ao senhor, entregavam a dízima à Igreja e prestavam trabalho gratuito na reserva do senhor (corveias). Em troca, recebiam proteção e o direito de trabalhar os mansos. Era uma relação de dependência que raramente deixava margem para sair da pobreza.

5 As relações de vassalidade

Para além das relações entre senhores e camponeses, a sociedade medieval era também estruturada por laços de lealdade e dependência entre os próprios nobres: as relações de vassalidade. Um senhor poderoso, o suserano, concedia uma terra ou um privilégio, o feudo, a um senhor menos poderoso, o vassalo. Em troca, o vassalo comprometia-se a servir o suserano, sobretudo prestando-lhe apoio militar em tempo de guerra.

Conceito

Vassalo: senhor menos poderoso que recebia um feudo de um suserano e, em troca, lhe devia fidelidade e apoio militar.

Feudo: terra ou benefício concedido pelo suserano ao vassalo em troca de serviços e fidelidade.

O contrato de vassalagem tornava-se oficial através de uma cerimónia com três momentos simbólicos:

A cerimónia de vassalagem

1. Homenagem O vassalo ajoelhava-se perante o suserano, num gesto de submissão e dependência
2. Juramento de fidelidade O vassalo comprometia-se a ser fiel ao suserano, colocando as mãos sobre a Bíblia
3. Investidura O suserano entregava um objeto simbólico ao vassalo, representando a concessão do feudo

O rei era o suserano dos suseranos: no topo da pirâmide feudal, concedia feudos aos grandes senhores, que por sua vez os distribuíam por nobres menos poderosos. Era uma cadeia de dependências que percorria toda a sociedade medieval, do rei ao último vassalo.

Quiz de revisão

Testa os teus conhecimentos

Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. Quais eram os três grupos sociais da sociedade medieval e quais as suas funções?

A. Rei, nobreza e povo; o rei governava, a nobreza pagava impostos e o povo combatia

B. Clero, nobreza e povo; o clero rezava, a nobreza combatia e o povo trabalhava

C. Clero, cavaleiros e servos; o clero ensinava, os cavaleiros protegiam e os servos cultivavam

2. Por que razão o clero tinha tanto prestígio e poder na sociedade medieval?

A. Porque possuía os maiores exércitos e controlava a defesa dos reinos

B. Porque era o único grupo que sabia ler e escrever, funcionava como intermediário entre os fiéis e Deus e participava nos momentos mais importantes da vida das pessoas

C. Porque o Papa nomeava diretamente todos os reis da Europa, controlando o poder político

3. Qual a diferença entre um servo e um vilão no senhorio medieval?

A. O servo era mais rico do que o vilão e pagava menos impostos ao senhor

B. O vilão era um camponês livre; o servo era um camponês não livre que não podia abandonar as terras do senhor sem autorização

C. O servo trabalhava nos mansos e o vilão trabalhava na reserva do senhor

4. O que era um feudo?

A. O imposto pago pelos camponeses ao senhor em troca de proteção

B. A terra ou benefício concedido pelo suserano ao vassalo em troca de fidelidade e serviços

C. A cerimónia através da qual o vassalo prometia lealdade ao seu senhor

5. Quais eram os três momentos da cerimónia de vassalagem?

A. Oração, combate e pagamento do feudo

B. Homenagem, juramento de fidelidade e investidura

C. Entrega do feudo, compromisso militar e cerimónia religiosa na catedral

Ver soluções

1 → B    2 → B    3 → B    4 → B    5 → B

Descarregar

Resumo completo em PDF para estudares sem internet

Descarregar PDF

Deixe um comentário