Resumo de Estudo · História e Geografia de Portugal · 5.º Ano
Os Concelhos, o Comércio e as Comunidades Religiosas no Século XIII
No século XIII, Portugal vivia um período de paz que favoreceu o crescimento das cidades, do comércio e das feiras. Ao mesmo tempo, judeus e muçulmanos viviam lado a lado com os cristãos, contribuindo para o desenvolvimento do país de formas que ainda hoje sentimos.
1 Os concelhos e as cartas de foral
Para além das honras da nobreza e dos coutos do clero, existiam também os concelhos: territórios com alguma autonomia para se governarem a si próprios. Um concelho nascia quando o rei ou o senhor de uma terra concedia uma carta de foral, um documento que definia os direitos e os deveres dos habitantes desse lugar.
Conceito
Concelho: território com autonomia para se governar, criado através de uma carta de foral.
Carta de foral: documento concedido pelo rei ou por um senhor que definia os direitos e deveres dos habitantes de um concelho.
Documento: texto escrito que serve como prova ou registo de um facto, de um acordo ou de uma lei.
O governo do concelho era feito pela assembleia dos homens-bons, pessoas com riqueza e estatuto social elevado, que elegiam entre si os juízes, o tesoureiro e o almotacé (que vigiava os mercados, os preços e a qualidade dos produtos). Alguns concelhos tinham também representantes do rei, como o alcaide, que chefiava o exército local.
Os concelhos tinham símbolos que mostravam a sua autonomia: o pelourinho (local público onde se lia a justiça e as novidades), o selo e a bandeira com o brasão da comunidade, e a Câmara Municipal, onde se reunia a assembleia dos homens-bons.
2 O crescimento do comércio e das feiras
Com o fim da reconquista em 1249, Portugal entrou num período de paz que favoreceu as deslocações e o aumento da produção agrícola e artesanal. O comércio cresceu e as cidades também. Os artesãos transformavam matérias-primas em objetos do quotidiano, que podiam ser comprados diretamente nas suas oficinas, nos mercados ou nas feiras.
Conceito
Comércio: atividade económica que consiste na compra e venda de produtos entre vendedores e compradores.
Produção artesanal: fabrico de objetos à mão, por artesãos, a partir de matérias-primas como madeira, couro, ferro ou lã.
Os reis D. Afonso III e D. Dinis impulsionaram o comércio criando feiras. Só o rei podia conceder uma carta de feira, que definia a data, a duração e as regras do evento. Para atrair vendedores e compradores às regiões mais afastadas, criaram-se as feiras francas, isentas de impostos. Os almocreves eram pequenos comerciantes que transportavam produtos de feira em feira em animais de carga, levando também mensagens e notícias.
O comércio com outros países fazia-se sobretudo por via marítima. Portugal tinha uma longa costa com bons portos, como o de Lisboa, onde paravam mercadores vindos da Península Ibérica, do Norte da Europa e do Mediterrâneo. Portugal exportava vinho, peixe, sal, azeite, mel, cortiça e peles, e importava cereais, armas e tecidos finos. D. Dinis criou ainda a Bolsa dos Mercadores, uma associação que funcionava como um seguro para os comerciantes que viajavam para o Norte da Europa.
3 Os judeus em Portugal
A população portuguesa era maioritariamente cristã, mas havia também comunidades de judeus e muçulmanos. Os judeus viviam em bairros próprios dentro das cidades, as judiarias, onde podiam praticar a sua religião na sinagoga, ter o seu líder religioso (o rabi) e celebrar o seu dia sagrado, o sábado.
Muitos judeus eram artesãos especializados (ourives, alfaiates, sapateiros) e mercadores-banqueiros que emprestavam dinheiro a juros, prática proibida pela religião cristã mas permitida pela judaica. Havia também médicos, astrónomos e cartógrafos judeus de grande prestígio.
Pela sua importância para a economia e a ciência, alguns reis protegiam os judeus. D. Afonso Henriques foi o primeiro a nomear um rabi-mor como cobrador de impostos. D. Dinis chegou a aprovar leis que protegiam os seus direitos. Contudo, as diferenças religiosas geravam frequentemente conflitos, discriminação e violência contra a comunidade judaica.
4 Os muçulmanos em Portugal
Os muçulmanos que permaneceram em Portugal após a reconquista viviam em bairros próprios, as mourarias, afastados dos cristãos. Chamavam-se mudéjares aqueles que podiam praticar o islão e manter os seus costumes, mas em troca pagavam impostos mais pesados do que os cristãos.
Eram sobretudo camponeses, artesãos e almocreves. As suas condições de vida eram difíceis: durante a reconquista, muitos muçulmanos tinham sido mortos ou escravizados. O ditado “trabalhar que nem mouro” reflete bem o tratamento que recebiam.
Apesar dos conflitos, houve também longos períodos de convivência e partilha entre as três comunidades. Os muçulmanos contribuíram com conhecimentos de astronomia, geografia e medicina, e com instrumentos como o astrolábio. Quando o Infante D. Henrique preparou as viagens marítimas no século XV, rodeou-se de matemáticos, astrónomos e cartógrafos judeus e muçulmanos. Sem eles, os Descobrimentos portugueses não teriam sido possíveis.
Em síntese
Quiz de revisão
Testa os teus conhecimentos
Responde primeiro sem espreitar as soluções!
1. O que era uma carta de foral?
A. Um documento que permitia aos comerciantes vender nas feiras sem pagar impostos
B. Um documento concedido pelo rei ou por um senhor que definia os direitos e deveres dos habitantes de um concelho
C. Uma carta enviada pelo Papa a reconhecer a independência de Portugal
2. O que eram as feiras francas?
A. Feiras organizadas exclusivamente por comerciantes estrangeiros
B. Feiras isentas de impostos, criadas para atrair vendedores e compradores às regiões mais afastadas
C. Feiras realizadas apenas nas cidades de Lisboa e Porto
3. Como se chamavam os bairros onde viviam os judeus nas cidades medievais portuguesas?
A. Mourarias
B. Judiarias
C. Honras
4. Quem eram os almocreves?
A. Os juízes que aplicavam a justiça nos concelhos medievais
B. Pequenos comerciantes que transportavam produtos de feira em feira em animais de carga
C. Os monges responsáveis pela cópia de livros nos mosteiros
5. Qual foi a contribuição mais importante das comunidades judaica e muçulmana para Portugal?
A. A introdução da moeda e a construção de castelos
B. Os conhecimentos de astronomia, cartografia e medicina que tornaram possíveis os Descobrimentos portugueses
C. A criação das feiras francas e da Bolsa dos Mercadores
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