As Transformações na Sociedade Portuguesa do Século XIX

Resumo de Estudo · História · 6.º Ano

As Transformações na Sociedade Portuguesa do Século XIX

Com o triunfo do liberalismo, Portugal não mudou apenas a economia e os transportes. A própria sociedade se transformou: a nobreza e o clero perderam privilégios, a burguesia ascendeu ao poder, surgiu uma nova classe social nas fábricas e o Estado aboliu práticas que durante séculos tinham sido consideradas normais.

1 A nobreza e o clero perdem privilégios

Até ao triunfo do liberalismo, a nobreza e o clero gozavam de privilégios que os outros cidadãos não tinham: estavam isentos de pagar impostos, controlavam grandes extensões de terra e detinham um poder enorme na sociedade. Com os governos liberais, essa realidade mudou profundamente.

A nobreza e o clero passaram a pagar impostos como qualquer outro cidadão. Em 1834, o ministro Joaquim António de Aguiar decretou a extinção das ordens religiosas em Portugal: conventos, mosteiros e colégios foram encerrados e os seus bens passaram para o Estado. Pela dureza das suas medidas, ficou conhecido pela alcunha de “Mata-Frades”. Mais tarde, algumas ordens religiosas foram autorizadas a regressar, sobretudo as que se dedicavam à assistência social e à educação.

2 A ascensão da burguesia

Quem mais ganhou com o liberalismo foi a burguesia. Em 1820, os burgueses representavam cerca de 8% da população portuguesa. Em 1867, esse número tinha duplicado. Em cidades como Lisboa e Porto, controlavam a banca, o comércio e a indústria.

Com o dinheiro que foram acumulando, muitos burgueses construíram palacetes e quintas imponentes, participaram na vida política e chegaram a receber títulos de nobreza concedidos pelo rei. A burguesia tornou-se assim a classe social mais influente de Portugal ao longo do século XIX, substituindo a nobreza no centro do poder.

3 O operariado: a nova classe social das fábricas

A industrialização fez surgir uma nova classe social que antes não existia: o operariado. Eram os trabalhadores das fábricas, homens, mulheres e crianças, que vendiam o seu trabalho em troca de um salário.

Conceito

Operariado: classe social que surgiu com a industrialização no século XIX, constituída pelos trabalhadores das fábricas que trabalham em troca de um salário.

As condições de vida e de trabalho do operariado eram muito duras. Trabalhavam entre 12 a 16 horas por dia, sem direito a descanso semanal, feriados ou férias. As fábricas tinham poucas condições de higiene e de segurança, e em caso de acidente ou doença não havia qualquer proteção social ou assistência médica. As mulheres e as crianças recebiam salários ainda mais baixos do que os homens adultos.

Fora das fábricas, as condições não eram melhores. Os operários viviam em habitações sem condições de salubridade: em Lisboa chamavam-se “pátios” ou “vilas” e no Porto “ilhas”, aglomerados de casas pequenas e sobrelotadas, sem luz nem ventilação adequadas.

As condições do operariado

Horário de trabalho 12 a 16 horas por dia, sem descanso semanal, feriados ou férias
Salários Muito baixos; mulheres e crianças recebiam ainda menos do que os homens
Fábricas Sem condições de higiene nem de segurança; sem proteção em caso de acidente
Habitação Pátios e vilas em Lisboa; ilhas no Porto; sobrelotadas, sem luz nem ventilação
Proteção social Nenhuma; em caso de doença ou acidente ficavam sem qualquer rendimento

Perante estas condições, os operários começaram a organizar-se. Em meados do século XIX surgiram as primeiras associações operárias, que recorreram à greve para exigir melhores salários e condições de trabalho mais dignas. Era o início de um movimento que viria a transformar profundamente a sociedade portuguesa no século seguinte.

4 A abolição da pena de morte e da escravatura

Os ideais liberais de igualdade e dignidade humana levaram os governos a tomar medidas que puseram fim a práticas que durante séculos tinham sido consideradas normais. Portugal foi um dos primeiros países do mundo a fazê-lo.

Ano Medida
1852 Abolição da pena de morte para os crimes políticos
1867 Abolição da pena de morte para todos os crimes, com exceção dos militares
1869 Abolição da escravatura em todos os territórios portugueses

Portugal foi um dos primeiros países da Europa e do mundo a abolir a pena de morte. A abolição da escravatura, em 1869, significou que todos os escravos nos territórios portugueses passaram a ser livres, com os mesmos direitos e deveres que os restantes cidadãos. Foram medidas corajosas para a época, ainda que o caminho para a igualdade plena fosse ainda muito longo.

Em síntese: como mudou a sociedade portuguesa

Nobreza e clero Perderam privilégios, passaram a pagar impostos; ordens religiosas extintas em 1834
Burguesia Tornou-se a classe mais influente; controlava a banca, o comércio e a indústria
Operariado Nova classe social nas fábricas; condições de vida e trabalho muito difíceis
Direitos humanos Abolição da pena de morte (1852 e 1867) e da escravatura (1869)

Quiz de revisão

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Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. O que aconteceu à nobreza e ao clero com o triunfo do liberalismo?

A. Ganharam novos privilégios e mais poder político

B. Perderam privilégios, passaram a pagar impostos e as ordens religiosas foram extintas

C. Mantiveram todos os seus privilégios mas deixaram de participar na política

2. Que classe social mais beneficiou com o liberalismo em Portugal?

A. O operariado, que conseguiu melhores salários e condições de trabalho

B. A burguesia, que enriqueceu com a indústria, o comércio e a banca e passou a dominar a vida política

C. A nobreza, que manteve o controlo das terras e das principais instituições do Estado

3. Quem era o operariado e em que condições trabalhava?

A. Os comerciantes e banqueiros que enriqueceram com a industrialização

B. Os trabalhadores das fábricas, que trabalhavam 12 a 16 horas por dia sem proteção social nem condições de higiene

C. Os camponeses que ficaram nos campos após a mecanização da agricultura

4. Em que ano foi abolida a escravatura em todos os territórios portugueses?

A. 1834

B. 1869

C. 1852

5. Como responderam os operários às más condições de trabalho?

A. Emigraram em massa para o Brasil em busca de melhores salários

B. Criaram associações operárias e recorreram à greve para exigir melhores salários e condições de trabalho

C. Pediram ao rei que interviesse diretamente nas fábricas para melhorar as condições

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