O Renascimento e a Reforma

Resumo de Estudo · História · 8.º Ano

O Renascimento e a Reforma

Nos séculos XV e XVI, a Europa viveu uma das maiores transformações da sua história. O ser humano passou a ocupar o centro do mundo, a arte renasceu inspirada na Antiguidade Clássica e a Igreja Católica enfrentou uma crise que a dividiu para sempre.

1 O Renascimento

No século XV, a Europa assistiu ao nascimento de um movimento de renovação cultural e artística: o Renascimento. Este movimento valorizava os ideais da Antiguidade Clássica grega e romana, que os humanistas redescobriram com entusiasmo. O seu berço foi a Itália, por razões concretas: a abundância de vestígios materiais do mundo romano, a prosperidade económica das suas cidades e a existência de uma burguesia rica e culta disposta a apoiar artistas e intelectuais.

Este apoio dos poderosos às artes e às ciências chamava-se mecenato. Monarcas, príncipes e burgueses encomendavam obras, protegiam artistas e criavam as condições para que estes se dedicassem ao seu trabalho. A família florentina dos Médicis é o exemplo mais conhecido desta prática.

Conceito

Renascimento: movimento de renovação cultural e artística que marcou a Europa nos séculos XV e XVI, caracterizado pelo regresso aos ideais da Antiguidade Clássica.

Mecenato: proteção e apoio dado por indivíduos abastados às artes, ciências e letras, bem como aos seus autores.

2 Os valores do Renascimento

A grande mudança do Renascimento foi de mentalidade. Na Idade Média, Deus era o centro de tudo: o teocentrismo dominava o pensamento. Com o Renascimento, o ser humano passou a ocupar esse lugar central: o antropocentrismo afirmou que era o Homem, com a sua razão e as suas capacidades, que merecia ser estudado e celebrado.

Os intelectuais desta época, chamados humanistas, dominavam o grego e o latim, estudavam os autores clássicos e observavam o mundo com espírito crítico. Questionavam as superstições medievais e acreditavam que a razão e a experiência eram os melhores caminhos para o conhecimento. A este movimento intelectual chamamos Humanismo.

Conceito

Teocentrismo: visão do mundo que coloca Deus no centro de todas as coisas.

Antropocentrismo: visão do mundo que coloca o ser humano no centro, valorizando as suas capacidades e a sua razão.

Humanismo: movimento intelectual do Renascimento que valorizava o estudo dos clássicos e as capacidades do ser humano.

Geocentrismo: teoria segundo a qual a Terra era o centro do Universo.

Heliocentrismo: teoria segundo a qual é o Sol, e não a Terra, o centro do sistema solar. Defendida por Copérnico no século XVI.

O espírito crítico e a observação da Natureza impulsionaram também o desenvolvimento científico. Nicolau Copérnico defendeu o heliocentrismo, contrariando a ideia medieval de que a Terra era o centro do Universo. Leonardo da Vinci destacou-se em matemática, medicina, astronomia e pintura. Pedro Nunes inventou o nónio. André Vesálio avançou no conhecimento do corpo humano.

3 A imprensa e a difusão dos novos valores

O Humanismo difundia-se pela Europa através das universidades e das viagens dos intelectuais, mas foi uma invenção que acelerou tudo: a imprensa de tipos móveis, de Gutenberg, por volta de 1450. Pela primeira vez na história, os livros podiam ser produzidos em grande quantidade e a preços acessíveis. O conhecimento deixou de estar reservado a quem tinha acesso a manuscritos caros e raros.

A imprensa permitiu a difusão das ideias humanistas, das descobertas científicas e das novas correntes religiosas por toda a Europa. Em Portugal, o número de livros impressos cresceu ao longo do século XVI, com o apoio do mecenato régio, nomeadamente de D. João III. Obras como Os Lusíadas de Camões, o Elogio da Loucura de Erasmo ou o D. Quixote de Cervantes chegaram a um público muito mais vasto graças à imprensa.

4 A arte renascentista e o Manuelino

A arte renascentista nasceu em Itália e inspirou-se na arte greco-romana. As suas características principais são o classicismo (recuperação de formas e temas clássicos), o naturalismo (representação fiel da natureza e do corpo humano) e a perspetiva (técnica matemática que cria a ilusão de profundidade numa superfície plana).

Conceito

Arte renascentista: movimento artístico dos séculos XV e XVI, inspirado nos modelos da arte greco-romana, visível na arquitetura, na pintura e na escultura.

Naturalismo: atitude estética que privilegia a representação da natureza e da figura humana de forma fiel e natural.

Arte Características Autores de destaque
Arquitetura Colunas, cúpulas, arcos, perspetiva nos interiores Brunelleschi, Bramante, Miguel Ângelo
Escultura Naturalismo, gosto pelo nu, contrapposto Miguel Ângelo, Donatello, Verrocchio
Pintura Perspetiva, sfumato, pintura a óleo, naturalismo Leonardo da Vinci, Rafael, Miguel Ângelo

Em Portugal, as influências renascentistas chegaram mais tarde. Até meados do século XVI, predominou um estilo decorativo próprio, nascido durante o reinado de D. Manuel I: o Manuelino. Este estilo combina elementos arquitetónicos góticos com decoração inspirada no mar e na Expansão: cordas, redes, âncoras, algas, corais, folhagens e símbolos do poder real como a esfera armilar e a Cruz de Cristo. Os exemplos mais conhecidos são o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, e o Convento de Cristo, em Tomar.

5 A Reforma Protestante

No início do século XVI, a Igreja Católica estava em crise. O clero vivia em corrupção, o papa acumulava riqueza, e a venda de indulgências, que prometia o perdão dos pecados mediante pagamento, escandalizava muitos cristãos. Em 1517, o monge alemão Martinho Lutero pregou as suas 95 Teses, criticando duramente esta prática. Recusando-se a retirar as críticas, foi expulso da Igreja em 1521. Era o início da Reforma Protestante.

Conceito

Reforma Protestante: movimento religioso que defendia a renovação da Igreja Católica e que deu origem a novas igrejas cristãs, como o Luteranismo, o Calvinismo e o Anglicanismo.

Dogma: verdade considerada indiscutível numa doutrina religiosa.

O movimento de Lutero gerou outras reformas. Em Inglaterra, Henrique VIII separou-se de Roma em 1534 e criou a Igreja Anglicana, depois de o Papa recusar anular o seu casamento. Surgiram assim várias igrejas protestantes, com doutrinas diferentes da Igreja Católica em pontos fundamentais: rejeitavam a autoridade do Papa, valorizavam a leitura direta da Bíblia e não reconheciam todos os sacramentos católicos.

6 A Contrarreforma e a intolerância religiosa

Perante o avanço do Protestantismo, a Igreja Católica respondeu em duas frentes. Por um lado, fez uma reforma interna: o Concílio de Trento (1545), convocado pelo papa Paulo III, reafirmou os dogmas católicos, reformou o clero e criou seminários para formar melhor os sacerdotes. Por outro, lançou a Contrarreforma, um combate ideológico e repressivo contra o Protestantismo.

Conceito

Contrarreforma: movimento da Igreja Católica para combater o Protestantismo, através da reforma interna e de medidas repressivas como a Inquisição e o Índex.

As principais ferramentas da Contrarreforma foram a Inquisição, um tribunal religioso que perseguia, julgava e condenava quem defendesse ideias contrárias ao catolicismo, e o Índex, uma lista de livros proibidos por conterem ideias consideradas perigosas. Os condenados pela Inquisição podiam ser sentenciados em autos de fé, cerimónias públicas onde eram punidos, por vezes com a morte na fogueira.

Na Península Ibérica, a Inquisição perseguiu sobretudo os cristãos-novos, judeus convertidos ao cristianismo que eram suspeitos de continuar a praticar o judaísmo em segredo. Esta perseguição teve consequências graves: limitou a liberdade de pensamento e contribuiu para o atraso cultural de Portugal e Espanha em relação ao resto da Europa.

Conceito

Cristão-novo: judeu ou mouro convertido ao cristianismo, frequentemente alvo de suspeita e perseguição pela Inquisição na Península Ibérica.

Em síntese

Renascimento Renovação cultural e artística inspirada na Antiguidade Clássica; berço na Itália do século XV
Humanismo Valorização do ser humano, da razão e da experiência; espírito crítico
Imprensa Gutenberg, c. 1450; difusão massiva do conhecimento e das novas ideias
Manuelino Estilo artístico português do reinado de D. Manuel I; decoração inspirada no mar e na Expansão
Reforma Protestante Lutero, 1517; rutura com a Igreja Católica; surgimento do Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo
Contrarreforma Concílio de Trento (1545); Inquisição e Índex; perseguição aos cristãos-novos na Península Ibérica

Quiz de revisão

Testa os teus conhecimentos

Responde primeiro sem espreitar as soluções!

1. Por que razão o Renascimento teve origem em Itália?

A. Porque Itália era o país mais poderoso militarmente da Europa

B. Pela abundância de vestígios clássicos, a prosperidade económica e o mecenato de uma burguesia rica

C. Porque o Papa apoiou financeiramente todos os artistas italianos

2. Qual a diferença entre teocentrismo e antropocentrismo?

A. O teocentrismo valoriza a razão humana; o antropocentrismo valoriza a fé

B. O teocentrismo coloca Deus no centro de tudo; o antropocentrismo coloca o ser humano no centro do mundo

C. São dois nomes para a mesma ideia filosófica

3. O que é o estilo Manuelino?

A. Um estilo arquitetónico italiano introduzido em Portugal por D. João III

B. Um estilo decorativo português do reinado de D. Manuel I, com elementos inspirados no mar e na Expansão

C. O nome dado à pintura renascentista produzida em Portugal

4. O que motivou Martinho Lutero a iniciar a Reforma Protestante?

A. O desejo de criar uma nova religião completamente diferente do Cristianismo

B. A sua revolta contra a venda de indulgências e a corrupção da Igreja Católica

C. A recusa do Papa em reconhecer o seu casamento

5. Quem eram os cristãos-novos e por que foram perseguidos pela Inquisição?

A. Eram protestantes convertidos ao catolicismo, suspeitos de continuarem a praticar o protestantismo

B. Eram judeus convertidos ao cristianismo, suspeitos de continuarem a praticar o judaísmo em segredo

C. Eram humanistas que questionavam a autoridade do Papa e os dogmas da Igreja

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